quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

A Saúde Vocal

A utilização da voz humana como forma principal ou exclusiva de trabalho categoriza as profissões em dois grandes grupos: vocais e não-vocais.

As áreas da comunicação e artes, em especial os locutores, cantores e atores fazem parte do grupo dos profissionais vocais. Para estes a voz é seu principal instrumento de trabalho, embora nem sempre eles tenham consciência disso. É importante ressaltar que para ser um bom profissional desta área é fundamental cuidar bem da voz, mantendo saúde e estética vocal. Para tanto deve-se buscar a orientação e acompanhamento vocal com profissionais habilitados, pois a manutenção saudável e estética da voz garantem a estes permanência no mercado de trabalho.

Hoje, na era da comunicação, já é mito afirmarmos que somente os vocalmente "bem-dotados" podem exercer profissões vocais. As práticas fonoaudiológicas, legalmente reconhecidas na área da saúde, auxiliam no desenvolvimento do potencial vocal saudável sem recursos medicamentosos ou cirúrgicos. Apesar disso, o desconhecimento da higiene vocal tem levado muitos a manifestarem doenças laríngeas leves, e as freqüentes repetições destas afecções chegam até mesmo à agravamentos que culminam em tratamentos cirúrgicos.

O alto índice de alterações vocais nos profissionais da voz tem merecido especial atenção dos fonoaudiólogos, pois a utilização da voz inadequada, resulta em uso abusivo do aparelho fonador. A exposição aos fatores nocivos como falar/cantar prolongadamente em ambientes ruidosos, sem tratamento acústico apropriado, ou mesmo o inocente hábito de pigarrear bruscamente, sempre antes do ato da fala, deixam o falante mais vulnerável. Alguns profissionais utilizam erradamente como prevenção aos problemas vocais pastilhas, conhaques, gengibre, sprays, entre outros. É ainda muito comum encontrarmos locutores, atores e cantores dedicando grande parte do seu tempo em ensaios e preparos de leituras, sem contudo investir igual atenção na forma saudável de apresentá-las.
É preciso conhecer e desenvolver medidas preventivas, mudando pequenos hábitos e comportamentos no nosso cotidiano, não apenas quando a rouquidão aparece. Alguns cuidados básicos devem ser observados, como:

1- disciplinar os horários de trabalho para que haja repouso vocal após cada apresentação;

2- hidratar-se com 7 à 8 copos de água por dia;

3- evitar a ingestão de drogas inalatórias ou injetáveis que têm ação direta sobre o laringe e a voz, além de alterações cardiovasculares e neurológicas.

4- evitar o uso do fumo, inclusive da maconha, pois a aspiração provoca um super aquecimento no trato vocal deixando a voz mais grave (grossa);

5- utilizar roupas leves que permitam a livre movimentação do corpo, principalmente na região do pescoço e cintura, onde estão situados a laringe e o músculo diafragma;

6- evitar a ingestão de refrigerantes, comidas gordurosas ou condimentadas, pois estes produzem gases e refluxo gastroesofágico prejudicando os movimentos respiratórios, além de lesar a mucosa;

7- evitar as mudanças bruscas de temperatura no ar ou líquido;

8 - evitar ingestão de açucares, adoçantes e outros tipos de doces antes de apresentações.

9- realizar exercícios de relaxamento regularmente, liberando a tensão corporal evitando a produção vocal com esforço e tensão;

10- realizar avaliações auditivas e fonoaudiológicas periódicas.

11- manter a melhor postura da cabeça e do corpo durante a fala ou canto.

12 - Evitar gritos e alterações desnecessárias da voz.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Classificação das vozes

Não temos somente um tipo/tom de voz para cantores, mas vários deles, que vão das tonalidades mais agudas até as mais graves. Descrevo abaixo os tipos que são atualmente utilizadas nas representações:

Vozes Femininas:

• Soprano: É a voz mais aguda por parte das mulheres. Muitas óperas tem o nome da própria soprano como título (Ex.: Tosca, Madame Butterfly, Manon Lescaut, Turandot...). Segundo alguns amantes da Ópera, existem dois tipos de sopranos: aquelas no qual o timbre de sua voz, de tão melodiosa e suave, confunde-se com a própria música da orquestra, e aquelas que são tão soltas, fortes e indomáveis que acabam por levar a platéia ao delírio, em interpretações que se tornam históricas (este era o caso de Maria Callas).

• Mezzo-Soprano: É como uma soprano, mas possui um tom de voz levemente mais grave do que a mesma. Pode representar diversos papéis dentro de uma Ópera, como irmã, amiga, ou às vezes até inimiga ou rival da soprano. Uma das mais mais famosas mezzo-sopranos do século é a espanhola Tereza Berganza. Ela inclusive apresentou-se em 1992, na abertura dos jogos olímpicos de Barcelona, juntamente com Plácido Domingo (Tenor), José Carreras (Tenor), Giácomo Arragal (Tenor), Juan Pons (Baixo) e Monserrat Caballé (Soprano).

• Contralto: É a voz feminina mais grave da ópera. Geralmente ocupam papéis de mulheres mais velhas (como é o caso do baixo para os homens), que exige maior imponência. Se houver, na Ópera, alguma matriarca, provavelmente será uma Contralto.

Vozes Masculinas:

• Tenor: É a voz mais aguda por parte dos homens. Os papéis de maior importância, com raríssimas exceções, sempre são destinados à eles, que em conjunto com as sopranos, formam os protagonistas da História. (Ex.: Calaf, Rodolfo, Otello, Nemorino...)

• Barítono: É uma voz intermediária entre o Tenor e o Baixo. Os Barítonos são, na maioria das vezes, os vilões da História (Quem não se lembra do “Barão Scarpia”). Tem voz mais macia que a do tenor, porém mais imponente, quando necessário. E sempre disputa a amada com o Tenor.

• Baixo: É a voz com tonalidade mais grave da Ópera, atingindo certas vezes tons muito abaixo dos tenores ou até mesmo dos barítonos. Por possuir estas características, os papéis que melhor se encaixam são os de Pai, nobre e generais, pois transmitem muito peso.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Percepção Musical

Quem nunca ouviu falar em solfejo musical? Solfejar significa simplesmente cantar as notas (ou melodias) escritas. A instrução musical começa com a leitura das notas musicais. Mas, somente a leitura, sem uma idéia sonora, não resolve nada. É indispensável, para qualquer músico, ouvir internamente o som da escrita musical.

O treino do solfejo, juntamente com os estudos rítmicos e de ouvido (ditados), ou simplesmente a percepção musical, é a maneira mais aconselhável para a aprendizagem da imaginação musical e para o desenvolvimento da musicalidade. A percepção musical pode ser considerada a porta do pensamento musical consciente.

Assim como qualquer músico, o guitarrista deve ser capaz de ter em mente a idéia exata sobre a altura da nota antes mesmo dela ser tocada. O compositor deve, da mesma forma, ser capaz de dominar este ouvido interno, o que explica inclusive como um compositor com deficiência auditiva - lembre-se de Beethoven - pode compor.

Um dos pré-requisitos para o estudo da percepção musical deve ser o domínio da teoria musical, ou pelo menos dos intervalos musicais e das escalas maiores e menores. Já contando com este conhecimento teórico, o estudo deve ser da natureza puramente prática. A filosofia principal é o entedimento da lógica da percepção musical. Um idéia para treinar a percepção musical pode ser a seguinte:

1. A percepção tonal
2. A percepção por intervalos
3. A combinação de ambas

Na percepção tonal, entendemos todas as notas de uma melodia como graus da escala em determinado tom. Os graus principais ou básicos são 1°, 3° e 5° graus, ou seja, os graus são chamados de graus secundários ou dependentes. Os graus secundários são deduzidos dos graus principais.

Dessa forma, aprendemos não as notas absolutas, mas os graus da escala que as notas representam em determinado tom. Isso significa que precisamos aprender a cantar somente uma escala maior e aplicá-la em várias alturas; o mesmo ocorrenco com a escala menor. Uma vantagem desse método é que treinamos cantar em todos os tons desde o início dos estudos. Outra vantagem é que desenvolvemos um sentido funcional-tonal desde o princípio e que certamente será bastante útil para os estudos posteriores de harmonia. Todo esse trabalho é direcionado para desenvolvimento de um ouvido relativo, mais acessível para a maioria das pessoas do que o ouvido absoluto.

Um pouco problemático no início é a nomenclatura. Para os guitarristas que estão acostumados a chamar as notas de C, D, E, etc, as sílabas dó, ré, mi, etc, são usadas para designar os 1°, 2°, 3°, etc, graus. Em português, estas sílabas expressam o nome das notas e, para evitar confusão, optamos pela pronúncia dos números correspondentes a determinado grau de escala. Inicialmente, devemos pronunciar rigorosamente estes números. Em seguida, podemos substituí-los por uma sílaba neutra (por exemplo, lá). Devemos, no entanto, evitar de pronunciar o nome real da nota.

Na percepção por intervalos, entendemos todas as notas de uma melodia como uma série de intervalos. Dominando os intervalos isolados, podemos aplicá-los na melodia, alternadamente.

Cantar palavras como, por exemplo, terça maior, etc, não seria nada prático. Optamos, então, pela pronúncia dos modelos de intervalos. Por qualquer quinta justa descendente, sol-dó, etc. Inicialmente devemos pronunciar rigorosamente os modelos. Em seguida devemos substituí-los por uma sílaba neutra. Mas, devemos evitar sempre de pronunciar o nome real da nota .

No início, o método por intervalos é bastante difícil mas, com o passar do tempo, acaba se tornando mais fácil do que o tonal.
Um pouco problemático é que um intervalo cantado errado causa um erro das alturas em todo o resto da melodia.

Tendo em vista estes dois métodos, o ideal é uma combinação de ambos que, com certeza, garantirá uma maior segurança (quase absoluta) no estudo da percepção musical. Experimente praticar com ambos os métodos e combinando-os. Os resultados podem ser muito bons.